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Sexta, 27 de junho de 2008

Memórias de um cara-pintada

Memórias de um cara-pintada

Enviado por: Jorge Roberto Innocencio da Costa

Pendurado sobre um mural metálico está um velho jornal amarelecido pelo tempo onde se vê impressa uma foto de um tempo que provavelmente os menores de trinta anos não irão se lembrar.

O rosto pintado e a face revoltosa ilustram a situação. Abaixo da imagem um breve texto descreve a manifestação. Certamente naquelas noites tumultuadas muitos jornalistas dormiram sobre suas Remigtons ou seus 286s, na tentativa de ilustrarem da melhor maneira possível a revolta daquela legião de jovens. Hoje ao rever aquela foto lembramos de um tempo quando éramos jovens e loucos: nos considerávamos os donos do poder em toda a empáfia de nossa adolescência.

Achávamos que podíamos derrubar presidentes, mudar o mundo. Para nós nenhum governante era impoluto. Assim o fizemos e hoje na autoridade das quatro décadas vividas, vemos que pouca coisa mudou.

Ah se pudéssemos ver o mundo com olhos que temos hoje, certamente descobriríamos que a democracia não nasce nas ruas, tampouco nos gritos arfantes, mas sim dentro de nossos próprios lares e que político nenhum irá mudar o mundo sem o comprometimento do povo, mas sim à medida que formos criando aqueles que vierem depois de nós, dentro da democracia.

Se ensinarmos às nossas crianças a não roubarem o lápis do coleginha na escola, certamente eles pensarão duas vezes antes de fazer malversação do dinheiro público quando estiverem no poder.

Somos ainda uma democracia precoce. Durante décadas buscávamos uma ideologia para viver, enquanto nos assemelhavam personagens de George Cronwey no livro “Revolução dos Bichos”. Deixemos de buscar soluções milagrosas para a nossa política. Mais do que políticos probos precisamos de jovens politizados que visem acima de tudo deixar de propagar a lei de Gerson nas nossas terras morenas.

Tiramos os depostas do poder indo à rua, gritando na praça da Sé. Somos vitoriosos e ufanamo-nos disso, mas será que se não tivesse acabado o dinheiro dos cofres públicos teríamos logrado êxito?

Ao ver a velha foto no jornal tenho consciência de quanto fui manipulado para ir às ruas lutar por bandeiras que sequer conhecia. Como lembra Cazuza, meus heróis morreram de overdose e meus inimigos estão no poder. Para quê vou buscar uma nova ideologia?

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Comentários - Deixe seu comentário

  • Quarta 02/07 16h30

    Phillipp <phillipp_caravaggio@hotmail.com>

    Jurgen my dear friend. Seus escritos um dia serão mais propagados que "Dom Quixote". Continue assim!
  • Terça 01/07 19h50

    Graciela Innocencio Da Costa Rinaldi <grarinaldii@gmail.com>

    jorge vc sabe o jeito de escrever isso me orgulha profundamente parabens.
  • Domingo 29/06 16h57

    Ana Lígia D. Inocencio Da Costa. <analigia@ig.com.br>

    Jorge Parabéns pelas sabias palavras,felicidade seria que não fossem somente palavras mas inicio de mudança.
  • Sexta 27/06 22h10

    Joemir Antonio Pinotti De Oliveira <joemirpinotti@uol.com.br>

    Ainda que não concorde com tudo, admiro a facilidade com que o Jorge expõe as suas idéias. E ele faz falta nos jornais de Matão, cheios de informações, mas carente de opiniões. Valeu Jorge.

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