Notícias / Agronegócio

Segunda, 23 de junho de 2008

Temporada começa com preço do gado em alta

Expectativa é que valor chegue a mais de R$ 100,00 a arroba

Enviado por: Luiz Esteves

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O consumidor deverá sentir a alta no bolso
O consumidor deverá sentir a alta no bolso

A temporada de confinamento de bois para engorda começou na região, com a expectativa de que, daqui três meses, os animais serão abatidos e comercializados a mais de R$ 100,00 a arroba, o que obviamente vai se refletir no preço da carne para o consumidor. Essa é a expectativa, tomando por base a cotação ascendente dos últimos meses, com reajuste, até agora, da ordem de 30% durante o ano. Mas o custo do boi no regime de engorda subiu mais do que isso, reclamam os pecuaristas.

“Fazendo as contas, a conclusão que se chega é que a arroba precisará estar valendo R$ 106,00 a R$ 107,00, no final do confinamento”, afirma Saulo Alves de Oliveira, agropecuarista de Sales Oliveira. Ele acha que pode chegar a esse valor. Hoje, a arroba é vendida a até 94 reais, com prazo de 30 dias, mas, no mercado futuro, para novembro, já houve negócios a R$ 100,00. E “se chegou no mercado futuro, pode chegar no mercado físico”, afirmam especialistas.

O “boitel” da região
Assim esperam pecuaristas que agora estão colocando bois magros no “boitel” da Santelisa Vale, em Morro Agudo, o maior confinamento da região, onde já está garantida a ocupação máxima da capacidade para 6 mil bois. No Brasil, a expectativa é que o número de bovinos em confinamento e semiconfinamento deve aumentar, mas não será 16% mais que ano passado, conforme inicialmente previa a Associação Nacional dos Confinadores (Assocom), em vista dos fatores restritivos.

Um deles: a falta de bois magros. Também há falta de bezerros, previstos para serem confinados em 2009. Esta dificuldade é conseqüência do descarte maciço de matrizes (vacas) no período de 2002 a 2006, quando a pecuária de corte passou por ciclo de baixa. A arroba do boi estava cotada a R$ 66,00 há seis anos, daí iniciando o processo de baixa, até atingir R$ 52,00. A recuperação do preço pago ao pecuarista começou em 2007, mas aí com as conseqüências do período anterior.

Aumento do custo
Ainda ocorre a falta de animais para cria, recria e engorda, tendo como resultado o aumento nos custos. O preço do boi magro subiu para R$ 1.200, quando antes podia ser adquirido por 800 reais. Há três anos, um bezerro custava R$ 350,00, enquanto hoje está em R$ 700,00. E só daqui um ano e meio a situação pode retornar à normalidade, cumprindo o ciclo regular da pecuária.

O pecuarista reclama que perde muito na relação de troca, conta que faz para efeito de reposição. “Historicamente, o preço do boi gordo corresponde ao valor de três bezerros; hoje a proporção é um e meio”, afirma Saulo Alves de Oliveira.

Desproporcional
Os valores para reposição, segundo empresas de consultoria, “vêm batendo recordes diários, e o preço do boi gordo, apesar de também em alta, não aumenta na mesma proporção”.

Rações e suplementos
A isto se soma o reajuste nos preços de rações e suplementos minerais, necessários para o processo de engorda do boi.

O pecuarista espera que “o preço continue melhorando, para compensar esse brutal aumento de custo”, conforme diz Antônio Bezerra, de Barretos.

Isso acontecendo, o consumidor pode esperar pelo aumento no varejo. Mas “tudo dentro do limite possível”, pondera Edílson Tonelli, diretor de rede de supermercados em Ribeirão Preto, imaginando que pode haver mais procura por carnes alternativas.

Com menor oferta, cai o abate nos frigoríficos
Apesar do aumento no preço pago ao pecuarista, o abate nos frigoríficos brasileiros vem registrando movimento este ano 18% inferior ao do mesmo período do ano passado, o que reflete a pouca oferta de boi gordo. E isso mesmo considerando que, em 2007, ante capacidade instalada para abate de 70 milhões de cabeças, os frigoríficos abateram 45 milhões.

É conseqüência do oxigênio que faltou para a pecuária durante 5 anos, dizem consultores do mercado. Tal situação levou a fatos extraordinários em 2008.

O ano começou com a arroba valendo R$ 72,00, preço considerado extraordinário para janeiro. Daí o preço oscilou um pouco e deveria cair em maio, mês considerado “vale da safra”, ou seja, mês de menor valor. Mas não foi o que aconteceu: ao contrário, a arroba valorizou mais R$ 10,00, terminando o mês cotado a R$ 83,00.

Continuou subindo em junho, ficando então a expectativa de quando vai romper a casa dos R$ 100,00, inclusive motivo de aposta entre pecuaristas. Durante a semana, foi a R$ 94,00 no mercado físico, valor correspondente a quase 59 dólares, quando a referência histórica para o boi em São Paulo é 20 a 25 dólares.

Os frigoríficos continuam trabalhando com dificuldade para encontrar animais terminados e, assim, vêm operando com capacidade ociosa. A procura é maior que a oferta, no momento em que se registra aumento de consumo no Brasil, assim em outros países, onde se manifesta mais interesse por proteínas animais.




Fonte: Globo.com
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