Terça, 03 de junho de 2008
Enviado por: Luiz Esteves

O pai chega e pede três polpettones para viagem. "Mas em embalagem especial", diz. Precisa ser uma que passe despercebida pelo setor de imigração e que resista a mais de dez horas de vôo. O destino? A casa do filho, nos Estados Unidos.
Após alguns meses, o filho telefona para o restaurante Jardim de Napoli agradecendo. O rapaz explica que cortou em pedacinhos e que comeu um pouco por dia para durar mais tempo.
Adolfo Scardovelli, 59, gerente da cantina, conta orgulhoso a história enquanto supervisiona o trabalho da equipe. São pouco mais de 14h. O restaurante está cheio e os cozinheiros montam um polpettone atrás do outro. O prato, que vende cerca de 10 mil unidades por mês, 80% dos pedidos da casa, é preparado com reverência.
Longe dos olhares
Apesar dos 40 anos de idade, a receita deste bolo de carne recheado com mussarela e servido com molho de tomate é um segredo do qual nenhum empregado da casa tem conhecimento.
"Só quem sabe somos eu e o Toninho [Antonio Buonerba, dono do restaurante, 67]. Todos os dias, chegamos aqui às 6h30 e, longe dos olhares de todos, preparamos cerca de 500 polpettones", diz Adolfo, que trabalha no restaurante desde os oito anos, quando ajudava a mãe na cozinha.
A produção abastece a geladeira que está sempre cheia. "Não podemos correr o risco de o cliente chegar e não termos o prato mais pedido", explica.
O medo procede. Um cliente foi comunicado pelo garçom de que havia acontecido algo desagradável. Surpreso, perguntou: "Faltou polpettone"? O funcionário explicou: "Não, acabaram de furtar seu carro". O homem se tranqüilizou. O episódio está no livro "Alla Napoletana" (ed. Bocato; 68 págs.; R$ 148), que traz a história da cantina.
Dá para entender por que aos funcionários cabe apenas a parte do ritual que leva menos de cinco minutos: passar o bolo de carne pelo óleo bem quente, cobrir com molho de tomate, salpicar queijo parmesão e levar direto à mesa onde, todo dia, ao menos 250 clientes esperam pelo prato. No fim de semana, os pedidos chegam a 400.
Os adeptos
É em busca do polpettone que empresários, estrelas do futebol, polÃticos e artistas, como as atrizes Ana Paula Arósio e Cláudia Raia, batem cartão na cantina. Na semana passada, o governador José Serra foi saborear o prato. O ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, que mora nas redondezas, não dispensa o polpettone. E Marta Suplicy, ministra do Turismo, também está sempre por lá.
E se os três forem no mesmo dia? Será que vai acontecer um debate imprevisto? "Não, o polpettone tem 100% dos votos aqui", atesta Adolfo.
Criado no improviso
O polpettone à parmigiana com mussarela, nome patenteado para combater eventuais plágios, surgiu despretensiosamente. Toninho utilizava pontas de filé mignon, que sobravam do preparo de outros pratos, recheava com mussarela, empanava e fritava. Após dois anos adaptando a receita, nasceu, em 1970, a especialidade que mudou os rumos da modesta cantina fundada pelo pai do atual proprietário em 1949. A porção de 450 g (serve duas pessoas) sai por R$ 30. A individual, de 270 g, R$ 20.
Jardim de Napoli
Exemplo da boa cantina napolitana à moda paulistana, onde as pizzas famosas e tradicionais já valem a visita, mas disputam a preferência do público com os pratos de massa ou com a especialidade da casa, o polpettone à parmigiana
Avaliação: Muito Bom
Faixa de preço: até R$ 30,00
Atualizado em: 16/05/2008
Onde
Endereço: av. Higienópolis, 618, lj. 502 - Higienópolis - Shopping Pátio Higienópolis - Centro
Telefone: 3823-2835
Estacionamento: (R$ 5 p/ 2 h mais h adicional)
Pagamento: aceita cheques; aceita os cartões Mastercard, American Express, Diners; aceita os tickets VR eletrônico, Visa Vale.
Domingo 09/05 09h44