Segunda, 17 de maio de 2010
Enviado por: Portal Saiba Já

A Citrosuco, controlada pelo Grupo Fischer, e a Citrovita, controlada pelo Grupo Votorantim, assinaram na sexta-feira (14) acordo para fundir suas operações. Juntas, as duas unidades devem somar faturamento anual de aproximadamente R$ 2 bilhões e desbancar a Cutrale na liderança do mercado mundial de processamento de suco de laranja. "A empresa terá capacidade de produção equivalente a 25% do consumo mundial de suco de laranja", ressaltou o presidente da Citrosuco, Tales Lemos Cubero.
De acordo com o presidente da Citrovita, Mario Pavaresco Jr., ainda não está definido o nome da nova companhia. Os executivos não revelaram detalhes da operação, que envolve os ativos de processamento de suco dos grupos Fischer e Votorantim, mas ressaltaram que não existem pretensões de a empresa abrir capital no momento. Eles também descartaram traçar projeções sobre o prazo para a conclusão da operação de fusão.
A companhia será composta por seis fábricas em São Paulo e uma na Flórida (EUA), além de operar terminais portuários no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia; e navios próprios e fretados. A nova empresa, segundo os executivos, terá capacidade equivalente a um porcentual entre 40% e 50% da safra total brasileira, ou o equivalente a aproximadamente 160 milhões de caixas de suco.
Questionados a respeito da possibilidade de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) colocar restrições ao negócio, os executivos destacaram a importância da criação de uma empresa em condições de fazer frente a um movimento de consolidação de companhias instaladas nos Estados Unidos e Europa. "O negócio aumenta o poder da indústria nacional a um nível internacional", destacou Cubero. Para Pavaresco, as duas empresas juntas terão condição de ser referência mundial em termos de custos, qualidade e eficiência.
Mesmo considerando inevitável a união entre Citrosuco e Citrovita, após dois anos de rumores, representantes de entidades de citricultores criticaram a operação. Além da concentração no mercado processador, os produtores consideram inevitável o fechamento de fábricas das companhias. Ambas possuem, por exemplo, fábricas de suco em Matão (SP) e unidades muitos próximas, como a unidade de Araras (SP) da Citrovita e de Limeira (SP) da Citrosuco. "É mais concentração, mais desequilíbrio no setor e mais prejuízo para os produtores e para o País", disse Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus).
Fonte: Agência Estado