Segunda, 01 de março de 2010
Enviado por: Luiz Esteves

A revoada das andorinhas transforma a paisagem da selva de pedra urbana. Cantadas em verso e prosa os pequenos pássaros azuis protagonizam um verdadeiro balé no céu da cidade. O espetáculo de rara beleza se repete por todos os fins de tarde do verão...
Originárias do hemisfério norte as andorinhas fogem do inverno rigoroso para os países do sul do planeta. Essencialmente migratórias as andorinhas são insetívoras, ou seja, se alimentam de insetos. Elas medem cerca de 13 centímetros e vivem em média 8 anos. Algumas centenas de milhares de andorinhas escolheram Matão para passar a temporada de verão. O hotel natural preferido do bando aqui na cidade é uma árvore na marginal do rio São Lourenço.
Fazendo uma enorme algazarra e em vôos rasantes, elas se acomodam nos galhos da morada provisória. É inacreditável como podem caber tantas andorinhas em tão poucos galhos, mas ao final da revoada não fica uma sequer sem o lugarzinho garantido. O espetáculo atrai a curiosidade de vários espectadores. Moramos aqui perto e todas as tardes nós montamos plantão para acompanhar o espetáculo proporcionado pelas andorinhas. Chega a ser emocionante ver tantas andorinhas pousar ao mesmo tempo e sempre no mesmo lugar. Também não dá para entender como elas escolheram este lugar para dormir na cidade que é bastante movimentado, comentou Marília Rossi.
De acordo com a diretora do departamento do meio ambiente Maria Belintani o motivo da escolha por um local para passar a noite em área urbana é uma questão de sobrevivência. Na cidade elas não correm o risco de conviver em meio aos seus predadores naturais, explicou Belintani.
Além do espetáculo proporcionado pelos vôos rasantes, pela grande resistência em vencer longas distâncias, capacidade de orientação e espírito de grupo as andorinhas acabam contribuindo também no controle biológico das pragas dos locais onde elas visitam. Elas se alimentam dos insetos que infestam as lavouras. Além de eliminar os insetos os agricultores acabam utilizando menos defensivos agrícolas nas plantações, concluiu a diretora do meio ambiente.