Quinta, 05 de março de 2009
Enviado por: Saiba Já

A poluição provocada pelos veículos mata indiretamente, em média, quase 20 pessoas por dia na Região Metropolitana de São Paulo, segundo estudo do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP.
É quase o dobro do que era há cinco anos, quando a média era de 12 mortes por dia por doenças cardiorrespiratórias "aceleradas" pela poluição. Segundo o estudo, baseado em parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS), a chance de uma pessoa morrer de doença cardiorrespiratória nos 39 municípios da região é atualmente de 10,9%. Sem as emissões veiculares, cairia para 2,4%.
Nos atuais padrões, o ar da região metropolitana mata indiretamente, por ano, 7.187 pessoas a partir dos 40 anos (grupo de maior vulnerabilidade). São 66% a mais que em 2004, ano da última pesquisa. Segundo o estudo, as principais doenças agravadas pela poluição dos veículos são enfarto, acidente vascular cerebral, pneumonia, asma e câncer de pulmão.
Além das mortes, o estudo estima que a poluição seja responsável por 13,1 mil internações por ano, com custos da ordem de R$ 334 milhões. Crianças até quatro anos e idosos com mais de 60 são os mais afetados. Os dados do SUS são de 2008.
O ar de São Paulo é quase três vezes mais "pesado" que o limite recomendado pela OMS. A concentração média diária de material particulado inalável (partículas mais nocivas que existem no ar, que chegam até os alvéolos pulmonares e causam doenças) é de 28 microgramas por metro cúbico, 18 a mais que o definido como tolerável pela OMS -o recomendado é que essa concentração não ultrapasse os 25 microgramas mais de uma vez por ano.
A qualidade do ar era um pouco melhor em 2004. Coordenador do estudo, o professor Paulo Saldiva afirma que houve piora desde então, causada principalmente pelo crescimento da frota.
Hoje, na capital, há são 6,3 milhões de veículos, 13% a mais que há cinco anos. Eles são responsáveis por 50% do material particulado do ar da cidade, o maior percentual entre seis capitais brasileiras pesquisadas. A região metropolitana tem 19,6 milhões de habitantes. O estudo, porém, não determina exatamente quanto de poluição cada tipo de combustível gera.
Para o professor Américo Kehr, o atual cenário de crise deveria ser um ponto de partida para "que a sociedade repensasse" modelos econômicos fortemente estruturados na venda de veículos.