Quinta, 05 de fevereiro de 2009
Enviado por: Saiba Já

PolÃtica é um assunto extremamente relevante para compreender melhor a relação de seu paÃs com os outros e o que acontece ao seu redor: seja no seu estado, na sua cidade, no seu bairro ou na sua vida. Mas, se é um assunto tão importante assim, por que a maioria dos jovens não tem o mÃnimo de interesse por ele?
Uma das possibilidades é o fato de as pessoas acreditarem que a polÃtica é sinônimo de roubalheira e que os governantes não se movem para melhorar a vida dos cidadãos. EmÃlio Franco Jr., 20 anos, alega que esse pensamento é, na verdade, uma crença limitada. “A polÃtica tem seus feitos positivos. O Brasil tem um bom debate democrático e a corrupção, infelizmente, existe em escala assustadora; mas, o desinteresse vem pela falta de confiança nas instituições polÃticas. O mais sensato seria procurar entender e participar do que se orgulhar em dizer que não se interessa e que não está nem aà para isso”.
Raoni Scandiuzzi, 20 anos, concorda e ainda acrescenta que o Brasil atravessa um momento de estabilidade do sistema polÃtico, o que contribui fortemente para o afastamento dos jovens. “Antes, havia ações estudantis devido ao perÃodo de transição da ditadura para a democracia, fazendo com que as pessoas sentissem na pele a obrigação de fazer algo a respeito”.
Para toda regra há exceções, por isso, o assunto pesado, com uma linguagem mais técnica e complicada, não foi empecilho para EmÃlio. O garoto lê, vai atrás das informações, discute e tenta aumentar o diálogo com os polÃticos. Nas últimas eleições, convidou os candidatos à prefeitura de São Paulo para que eles tivessem a oportunidade de mostrar suas propostas ao público juvenil. “Foi difÃcil, principalmente porque contei com a ajuda de poucas pessoas, mas ver o auditório, com capacidade para mil pessoas, lotado foi muito gratificante. Aquele público imenso mostra que o jovem se interessa pela polÃtica, mas acha difÃcil participar, porque enxerga tudo como um mundo muito distante”, diz.
Num universo dominado por pessoas mais velhas e do sexo masculino, Andréia Sadi, 21 anos, é mais raridade ainda. “Comecei a tomar gosto desde as aulas de História na escola. Nunca fiz parte de nenhum comÃcio, meu interesse é o histórico, do registro e da cobertura polÃtica. Eu gosto de entender tudo, de puxar os porquês de determinado caso. PolÃtica sem histórico não tem condições”, divide.
Como a relação entre a juventude e a polÃtica poderia ser mais estreita é uma questão não solucionada por esses jovens, mas eles arriscam alguns palpites: Andréia defende a ideia de que não há como incentivar alguém a gostar do tema e Raoni concorda. “Isso tem que partir de cada um, mas externamente a iniciativa poderia partir dos educadores, dos pais e da mÃdia. Ninguém se interessa por polÃtica, porque tem uma visão distorcida sobre ela”.
EmÃlio afirma que uma reciclagem dos discursos e uma alteração no sistema, principalmente para deputados e vereadores, poderiam aproximar os eleitores, já que o contato é quase nulo. “O sistema deveria ser distrital, ou seja, a cidade seria dividida em diversos distritos e seriam eleitas pessoas mais próximas ao cotidiano da região”.
Mesmo que você não tenha vontade, muito menos paciência, de se informar sobre assuntos polÃticos, procure ter o mÃnimo de conhecimento para que o seu voto não seja jogado na lata de lixo. “As pessoas precisam colocar na cabeça que polÃtica não é só época de eleição, ela acontece todos os dias”, conclui EmÃlio.