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Sexta, 05 de dezembro de 2008

De Olho na Agricultura

Em Matão (SP) está um dos maiores seringais do estado de SP, mercado está em ascensão

Enviado por: Ingrid Alves

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Brasil consome 300 mil t de borracha/ ano e só produz 100 mil t
Brasil consome 300 mil t de borracha/ ano e só produz 100 mil t

O estado de São Paulo é responsável por cerca de 60% da borracha produzida do país. A região de São José do Rio Preto é a maior produtora, mas o que muita gente não sabe é que em Matão está um grande seringal. Dos 14 mil hectares que a Cambuhy possui 530 estão destinados a produção de látex, o que faz da área uma das maiores em produção no estado.

Apesar da saturação de mercado de várias culturas, o quadro da seringueira, produtora do látex usado na produção da borracha, está em ascensão. O Brasil consome 300 mil toneladas de borracha natural por ano e produz apenas 100 mil, o déficit anima os produtores, até porque apesar da produção da borracha sintética estar aumentando, alguns produtos necessariamente precisam da natural, como é o caso dos pneus, que consomem 75% de todo o produto produzido no mundo.

De acordo com o Supervisor Agrícola de Seringueira, Paulo Júnior de Melo, apesar a tão falada crise, o mercado da seringueira está confortável. “A borracha produzida no mundo é insuficiente para o que ele necessita. Há campo para plantar, o Brasil tem área e o mundo precisa dessa borracha”, destaca.

O mercado se mostra rentável também por que uma única planta, se bem trabalhada, pode produzir por até 40 anos resultando de 8kg a 14kg de látex por safra. Cerca de 450 seringueiras podem ser plantadas por hectare.

Mas a cultura do látex passa por um complexo processo de produção. A sangria, técnica utilizada para retirar o látex da planta, deve começar depois de sete ou oito anos do plantio, e ser feita a partir de 1,20 metro de altura do tronco, que deve ter pelo menos 50 cm de circunferência. A espessura da casca retirada deve ter cerca de 1,5mm e feita num ângulo de 37º para garantir que a seiva escorra.

Muitos cuidados devem ser tomados durante a extração do látex. O trabalho no seringal começa cedo, junto com o nascer do sol, já que as altas temperaturas endurecem o produto. Novos métodos também estão sendo testados, além da irrigação para impulsionar a produção, uma espécie de guarda-chuva é novidade para evitar que a água misture com a seiva e o produto se perca. Por isso, o processo também envolve a aplicação de uma espécie de “vinagre” que endurece o látex antecipando a formação do coágulo. Além disso, uma espécie de estimulante também é aplicado na planta.

O controle de qualidade nessa cultura tem a preocupação de manter a planta e não especificamente o produto, por isso, os cuidados na hora da sangria devem ser redobrados.
“O nosso dia a dia é explorar a casca da seringueira não atingindo a madeira. É preciso medir a profundidade do corte, consumo de casca e declividade”, explica Melo.

Depois de extraído o látex, ele vai para caixas, é carregado e enviado para processamento. Apenas 60% é aproveitado, o restante é água e impurezas. O látex produzido na região de Matão é processado no estado do Mato Grosso e vai para a fábrica de pneus da Michelin no Rio de Janeiro.

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