Sexta, 28 de novembro de 2008
Enviado por: Saiba Já

Nos resÃduos sólidos municipais estão presentes diversos produtos ou materiais descartados pela sociedade e que, por conterem substâncias tóxicas, deveriam ser tratados de forma segregada. Estão nesse rol as chamadas lâmpadas de descarga de gases que incluem as lâmpadas fluorescentes, de uso tão difundido nas fábricas, escritórios e edifÃcios públicos (inclusive escolas e hospitais), e as de vapor de mercúrio, de vapor de sódio, de luz mista, muito utilizadas na iluminação pública. Todas essas lâmpadas deixam escapar para o meio ambiente, quando se rompem, o mercúrio que contêm. O mercúrio, que se encontra sob a forma de vapor no interior da lâmpada, quando essa é quebrada se dispersa na atmosfera e se condensa a seguir, contaminando o ambiente.
O mercúrio, apesar de ser um elemento natural que se encontra na natureza, pode ser muito nocivo aos seres vivos e quando penetra na cadeia alimentar pode ser extremamente prejudicial à saúde humana. No Brasil a norma que trata dos resÃduos sólidos, a ABNT NBR 10004, define a periculosidade de diversos elementos e substâncias quÃmicas e estabelece os limites admissÃveis para esses contaminantes serem dispostos no meio ambiente. O mercúrio ocupa lugar de destaque entre as substâncias mais perigosas relacionadas nessa norma. Por sua vez a norma regulamentadora NR15, do Ministério do Trabalho, que trata das atividades e operações em locais insalubres, também lista o mercúrio como um dos principais agentes nocivos que afetam a saúde do trabalhador.
Embora uma lâmpada encerre apenas uma pequena quantidade de mercúrio, o efeito acumulativo e persistente, proveniente de muitas lâmpadas, quando descartadas em um mesmo aterro ao longo dos anos, por exemplo, será sensÃvel. Por esse motivo as lâmpadas que contêm mercúrio já devem ser separadas, na origem, do lixo orgânico e dos materiais tradicionalmente recicláveis, como vidro, papel e plásticos.
Essa prática já é adotada em diversos paÃses e no Brasil muitas indústrias, universidades, órgãos públicos e empresas concessionárias de energia elétrica já proibem a disposição de suas lâmpadas no lixo. Por outro lado diversos municÃpios nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais já gozam do benefÃcio da coleta segregada e da destinação adequada de suas lâmpadas de iluminação pública, evitando assim que as mesmas tenham como destinação os aterros municipais. Graças a essa atitude pró-ativa, identificada nesse grupo selecionado de instituições, foi possÃvel criar e manter um projeto de descontaminação de lâmpadas concebido e desenvolvido por uma empresa especializada na solução de problemas ambientais.
Instalada em PaulÃnia, SP, a empresa Apliquim se especializou no tratamento e na descontaminação de resÃduos mercuriais e vem desde 1993 e traz a possibilidade de tratar lâmpadas, evitando assim que sejam descartadas impropriamente no meio ambiente. Utilizando tecnologia própria, acumulada desde 1985 quando foi fundada, a empresa desenvolveu equipamentos que permitem extrair todo o mercúrio contido em uma lâmpada e descontaminar os outros materiais que a constituem, como o vidro, o alumÃnio e o fósforo, que recobre o interior do bulbo de vidro. O mercúrio extraÃdo das lâmpadas, uma vez purificado e sob a forma de metal, é encaminhado, com autorização do IBAMA, para empresas que o utilizam em seus processos ou produtos, tais como as fabricantes das próprias lâmpadas.
O conceito adotado de recuperar e reciclar todos os materiais que constituem a lâmpada, em vez de simplesmente descartá- los, é muito importante pois protege os aterros (e lixões), evitando a formação de passivos ambientais que poderão, um dia, recair sobre a municipalidade local.
Essa tecnologia emprega apenas processos por via-seca e não utiliza combustÃveis de qualquer tipo. Isso não ocorre com algumas tecnologias utilizadas no exterior que geram efluentes lÃquidos, emissões de gases e resÃduos sólidos contaminados, que vão requerer tratamento posterior. Como todos os componentes das lâmpadas tratadas pelo processo são reaproveitados como materiais recicláveis, não existe também a possibilidade de formação de passivos ambientais que poderiam resultar de uma disposição inadequada desses materiais.
Outro aspecto importante nesse Programa de Descontaminação de lâmpadas que contêm Mercúrio é a saúde ocupacional e a segurança no trabalho daqueles que manipulam as lâmpadas. Não se recomenda portanto quebrar as lâmpadas sob nenhuma hipótese antes de confiá-las para tratamento. Sua guarda, até que sejam tratadas, deve ser feita sempre que possÃvel nas próprias embalagens originais, que constituem a melhor maneira de preservá-las de quebras acidentais.
O conceito de Qualidade Ambiental chegou aos municÃpios para ficar. Ar puro, água e esgotos tratados e destinação adequada para os resÃduos sólidos constituem valores para o municÃpio e mérito para seus administradores. E a destinação adequada daqueles resÃduos que podem contaminar os aterros municipais se insere nessa busca da Qualidade Ambiental.