Quarta, 26 de novembro de 2008
Enviado por: Jorge Roberto Innocencio da Costa

De repente as vendas começaram a cair, mas como? – perguntavam-se os diretores da empresa. O produto deles é de tradição renomada no mercado e como poderiam ter perdido tanto mercado.
Talvez os mais jovens não irão se lembrar deste produto, mas os mais antigos ou saudosistas, como eu, irão com certeza. Duvido que alguém que tenha passado dos quarenta anos, já não tenha comprado uma lata ou um vidro de Creolina. Para os que não conhecem este produto é um desinfetante, usado pelos nossos avos ou pais dependendo o caso, para lavar quintal, desinfetar galinheiros e tantas outras utilidades.
Não consegui uma datação de quando o produto foi criado, contudo encontrei registros oficiais que em 1923 ele já existia.
O que teria havido a velha e boa creolina para fazer com que ela perdesse o mercado? A pergunta foi custosa para responder, e a resposta veio do interior do Brasil. Um concorrente deveras astuto havia feito um produto idêntico com o nome de “Criolinha”, e acontecia o seguinte: nos armazéns do interior deste nosso paÃs, não se fala o português castiço então, o cliente acabava levando a concorrente para casa pela simples questão do vernáculo.
O concorrente foi tão astuto que até a marca ele registrou para ninguém “copiar” seu produto. A história parece mentira, mas é verdade. Há alguns meses atrás a titular da marca Creolina, conseguiu na justiça a anulação do registro de seu concorrente, pois alegou que a similaridade no nome poderia estar induzindo o consumidor a erro, e consegue essa façanha por um único motivo: havia depositado sua marca primeiro.
Vejo que essa prática é cada dia mais comum, empresas desleais tentando se aproveitar do know-how adquirido pelos seus concorrentes a duras penas.
Lembro-me que quando estudei com o pessoal da WIPO, eles não falavam em outra coisa senão o famoso caso da cafeteria americana Starbucks, que brigou na justiça russa por três anos para conseguir instalar-se no paÃs, tudo porquê um advogado russo havia feito o registro da marca no paÃs, e pediu a módica quantia de seiscentos mil dólares para conceder ao grupo o uso da marca.
Em uma economia globalizada, a proteção à propriedade industrial deve ser uma preocupação de qualquer empresário, independente do porte de sua empresa; muito se tem falado em qualidade total de produtos, ISO9000 entre tantos outros selos, você investe nisso, cria um conceito dentro de seu segmento, só esquece de registrar sua marca, e ,sabe o que seu concorrente faz? Vai lá e copia sua marca.
O autor é especialista em propriedade industrial pela WIPO de Genebra.