Terça, 28 de outubro de 2008
Enviado por: Jorge Roberto Innocencio da costa

Pela primeira vez depois de muitos anos, temos a possibilidade de um brasileiro ser campeão da formula 1, uma alegria que os menores de vinte anos certamente ainda não conhecem.
Ah, meus amigos! o que vou relatar nesta crônica suponho que não seja novidade para nenhum de vocês. Vou lhes contar das madrugadas que vivi em minha adolescência, não das de boêmio, pois isso já fiz amiúde.
O despertador soava quase como um estampido nas noites de sábado para domingo. Aos milhões Ãamos para frente de nossos televisores, vivos e mortos. Os vivos levantavam de suas camas e os mortos de suas tumbas para sentirem, mais uma vez, orgulho de serem filho desta mátria gentil. Nossa humildade acabava ali ao ver aquele capacete com as cores da nossa bandeira despontar e como um fênix, fazer renascer nosso orgulho. É meus caros..., em verdade vos digo: quem não assistiu uma corrida de formula 1 na década de oitenta, não viveu.
Diante de platéias colossais, nosso hino era tocado em alto e bom som, massas tinham o sentimento de triunfo. Sem dúvida circuitos, como o de Suzuka, devem sentir saudade daquelas manhãs chuvosas onde aquele brasileiro fazia ecoar mais alto o nome do Brasil.
Na primeira vez que atingiu a ponta do campeonato, certamente muitos hão de ter feito a mordaz piada: “lÃder por uma semana”: Daà em diante as semanas se sucederam, e ele era sempre o lÃder “por uma semana”, até chegar ao Japão quando em corridas memoráveis acontecia o seguinte: o lÃder por uma semana era o campeão do mundo, em exibições irretocáveis, tendo em seu espÃrito a áurea de um campeão.
Nos botecos, bêbados não falavam em outra coisa; nos cabarés, as meretrizes também não, O lÃder por uma semana era O Campeão do Mundo. Daà então entre tempestades de bandeiras já não se fazia mais piada, o coração batia forte, éramos milhões representados por seus gestos. Meninos sonhavam em ser pássaros mecânicos e cruzavam linhas de chagadas imaginarias em velhas ruas de subúrbios com suas já surradas, porém esmeradas, bicicletas, das quais faziam inimagináveis veÃculos onde eram adicionados adesivos contendo o nome do profeta.
Certamente daqui a trezentos anos, nossos penta netos, irão ouvir falar destas madrugadas e mordidos de nostalgia procurarão saber quem foi o profeta verde-amarelo.
Como em todo sonho, tivemos que ser acordados. Fomos acordados pela morte que com sua grossa mão levou os resquÃcios de orgulho que esta terra nos dava.
Como as lendas não morrem, apenas adormecem. Um novo profeta verde-amarelo chega, trazendo a esperança aos nossos corações.