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Terça, 21 de outubro de 2008

Crônica: Memórias de um parto

Memórias de um parto, por Jorge Roberto Innocêncio da Costa

Enviado por: Jorge Roberto Innocencio da Costa

Semana passada circulou pela Internet uma série de imagens, as quais mostravam mulheres em poses de fêmeas em estado puerperal, em uma das imagens a mãe tal como um canino carregava sua cria pela boca, enquanto a criança sorria, era o início de uma grande aventura.

E pensar que tudo isso começa com um choro! De repente nos vemos sozinhos banhados de sangue em uma sala cheia de luz, rodeados de pessoas em seus trajes albinos, após os gritos de medo somos entregues aquele ser que nos transmite carinho e nos acalma nossa sede de pão e de vida. Tal como um animal indefeso procuramos seu calor, sua proteção, sabemos muito pouco sobre o que está acontecendo, mas temos a certeza de que não estamos sós. E isto nos basta!

Passado alguns meses, nossas noites se tornam longas e em qualquer iminência de perigo chamamos por ela, que vem ao socorro dos monstros que precocemente habita nossas mentes. Com o passar dos primeiros anos descobrimos que somos seres feitos para ser caminhante, em um momento mágico encontramos o milagre da evolução, em poucos segundos sintetizamos milhões de anos de evolução do animal homem, e passamos a ser bípedes, meio cambaleante, diga-se de passagem mas nada que o tempo não consiga consertar.

Tal qual nossos antepassados aprendemos o valor da alimentação, arduamente discernimos que nem tudo aquilo que nós gostamos nos faz bem. Então chega os remédios, muitos de meus leitores irão se lembrar da Emulsão de Scott (um fortificante a base de óleo de fígado de bacalhau), que hoje já se tornou rosa e com sabor de morango para a tristeza dos saudosistas.

Lentamente a vida começa a se descortinar, em aprendizados diários, aprendemos que existem regras a serem cumpridas, e que o mundo sempre espera certa postura de nós, muitas vezes o velho chinelo é o “formatador” de nosso caráter. Gradualmente o velho campo de Chão batido, onde jogávamos bola acaba por ser substituído pela escola, pelo cursinho pré-vestibular, somos guiados para o conhecimento em nosso grande curso da vida.

Contudo naquelas noites frias, quando já estivermos muito distantes daquele passo que nos ensinou a ser caminhante, e tivermos uma dúvida, uma mágoa, recorreremos aqueles cabelos brancos, a qual o tempo outorga a sabedoria oriunda de longos dias de trabalho árduo, certamente estas palavras podem nem sempre solucionar nossos problemas, contudo fará com que nós torne mais aliviados, leves.

Teremos o porto seguro onde ancorar quando surgirem às tempestades de nossa existência.

E um dia, quando nossos cabelos já estiverem começando a ser nevados pelo tempo, ela partirá, com mesmo semblante sóbrio de quem não teme a os desígnios da criação divina, sabendo que o universo é ciclo sem fim.

GALERIA DE IMAGENS
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